Assuntos diversos relacionados à ultrassonografia  

Hidropsia Fetal


A hidropsia fetal é o acúmulo de líquido na pele e nas cavidades abdominal, pleural (pulmão) e pericárdica (coração). É encontrada em aproximadamente 1 a cada 2.000 nascimentos. Nos exames de ultrassom frequentemente encontramos também aumento da espessura da placenta. A hidropsia pode ocorrer em várias situações decorrentes de alterações fetais ou maternas como distúrbios do sangue, alterações cromossômicas, cardíacas, renais, pulmonares, gastrintestinais, hepáticas, metabólicas, infecções, malformações da placenta, do cordão ou ainda em Síndromes genéticas. Em aproximadamente 10% dos casos ocorre pela produção de anticorpos pelo organismo da mãe contra o sangue do bebê, ou seja, possuem causa imune. Os 90% restantes têm causas variadas. O diagnóstico da hidropsia fetal é realizado através da ultrassonografia obstétrica e a investigação envolve, além do ultrassom, exames como pesquisa de infecções através do exame de sangue colhido no pré-natal, ecocardiografia fetal, ultrassom obstétrico com doppler e exames do líquido amniótico (amniocentese), do sangue fetal (cordocentese) e estudos de cariótipo fetal. Apesar de todas estas opções de investigação, algumas vezes não é possível se determinar a causa da hidropsia. O tratamento é específico e irá depender da determinação da causa. A morbidade e mortalidade fetal também está relacionada com a causa. Quando a hidropsia fetal é causada por alguma infecção não há aumento do risco de recorrência em uma próxima gestação, porém quando a causa é de origem imunológica o risco de um próximo bebê ter o mesmo problema é bastante alto. Se a hidropsia estiver relacionada com alguma trissomia, Síndrome de Down, por exemplo, o risco de ocorrer em uma próxima gestação é de 1%.

Placenta Prévia

A placenta prévia (placenta baixa) ocorre quando sua localização se dá no segmento inferior do útero, ou seja, mais próxima do colo uterino. Nesta região, o útero é mais fino o que faz com que exista um risco maior de sangramento.

É encontrada em cerca de 1 a cada 200 gestações sendo mais comum nas mulheres que já tiveram vários filhos, que tiveram cesáreas anteriores, que fumam, que já tiveram história anterior de placenta baixa ou que foram submetidas a tratamento para engravidar. Também podem aumentar o risco, a idade materna avançada e situações em que a placenta normalmente é maior como na gestação de gêmeos.

Na maioria das vezes a placenta baixa apresenta-se como um sangramento na segunda metade da gravidez, não acompanhado de dor. É comum que este sangramento ocorra mais de uma vez e a cada vez ocorra de maneira mais intensa que a vez anterior. Portanto, o sangramento é indolor, intermitente e progressivo. Não é possível prever ocorrerá sangramento, quando haverá e qual a quantidade de sangue que será perdida. Por esta razão, é comum a necessidade de antecipação do parto para diminuir os riscos para a gestante e para o bebê.

O diagnóstico da placenta baixa pode ser feito através da ultrassonografia obstétrica de rotina sendo recomendada confirmação diagnóstica quando a suspeita se der antes da 24ª semana pois é comum que as placentas inicialmente localizadas no segmento inferior do útero sejam vistas em sua posição normal ao término da gestação.

Em algumas situações pode ser feita uma Ressonância Magnética para se afastar a presença de acretismo placentário, situação em que a placenta invade a parede do útero, podendo até mesmo ultrapassá-lo e invadir órgãos vizinhos como a bexiga e o intestino.

Polidrâmnio

07/04/2021

Polidrâmnio é o aumento do volume do líquido amniótico, presente em cerca de 1% de todas as gestações. Na maioria das vezes o polidrâmnio aparece no final do segundo ou no terceiro trimestre.

O que é Esteatose Hepática?

Esteatose Hepática é o acúmulo de gordura nas células do fígado. É a doença hepática mais comum nas Américas e pode ocorrer por diversas causas como ingestão de álcool, alguns tipos de medicamentos, infecções, dieta rica em gorduras, dentre outras. O diagnóstico é feito através da história clínica, de exames laboratoriais e exames de imagem, dentre os quais a ultrassonografia possui extrema importância por ser um método de fácil acesso, baixo custo, isento de riscos para o paciente e alta capacidade de detecção da doença. 


Posso realizar ultrassom transvaginal na gravidez? 

Muitas pacientes questionam se podem realizar ultrassom transvaginal durante a gravidez. A resposta é Sim, com certeza!

Durante as primeiras 12 semanas de gestação, o saco gestacional, o embrião, a vesícula vitelínica, o útero, os ovários e o colo uterino são melhores avaliados pela ultrassonografia transvaginal do que pelo exame realizado pela via transabdominal.

Não há motivo para se preocupar. Embora seja um pouco incômodo, o exame é indolor e não apresenta qualquer risco para a gestante ou para o bebê.

Algumas vezes o médico obstetra pode solicitar o exame transvaginal após a 12ª semana, principalmente quando precisa avaliar as condições do colo uterino para prever o risco de parto prematuro ou quando precisa de uma melhor avaliação da localização da placenta. Da mesma forma quando realizado durante os primeiros 3 meses, o exame não apresenta qualquer risco e pode ser realizado sem preocupação.



Prevenção da pré-eclâmpsia pela ultrassonografia

A hipertensão arterial é a principal causa de morte materna no mundo. A pré-eclâmpsia aparece na segunda metade da gestação (após a 20ª semanas) e atinge até 15% de todas as gestantes. Estima-se que mais de 70.000 mulheres morrem a cada ano por causa da pressão alta e suas complicações como o acidente vascular cerebral (derrame), eclâmpsia, infarto agudo do miocárdio e outras cardiopatias.

Os bebês também sofrem as consequências do aumento da pressão arterial. Cerca de 500.000 fetos morrem anualmente no mundo por complicações da hipertensão na gestação. A pré-eclâmpsia ocorre por uma falha no processo de evolução da placenta o que pode fazer com que o feto tenha dificuldade para ganhar peso, pode diminuir o liquido amniótico e pode aumentar o risco de partos prematuros.

Unindo-se a ultrassonografia com doppler, a história clínica e alguns exames laboratoriais, é possível estimar o risco de desenvolvimento de hipertensão na gestação e, à partir daí, o médico obstetra pode adotar medidas preventivas que comprovadamente diminuem o risco para a gestante e para seu bebê.


Importância do ultrassom morfológico de primeiro trimestre

Antigamente a pesquisa de fetos com risco de apresentarem síndrome de Down era baseado na idade materna. Assim, as gestantes com 35 anos ou mais tinham que ser submetidas a um procedimento invasivo onde o médico introduzia uma agulha no abdome materno para colher liquido amniótico (amniocentese) ou para retirar um fragmento da placenta (biópsia de vilo corial). Porém, além do risco relacionado ao procedimento, menos da metade dos fetos com esta síndrome eram diagnosticados antes do nascimento pois a maioria dos fetos comprometidos são filhos de mães mais jovens.

Atualmente, além da idade materna, existem exames laboratoriais que auxiliam no diagnóstico (ß-hCG livre e PAPP-A) e podem ser pesquisados através da simples coleta de sangue materno. Soma-se aos exames laboratoriais, a importância da ultrassonografia morfológica de primeiro trimestre.

Na ultrassonografia morfológica de primeiro trimestre são avaliadas a translucência nucal, o osso nasal, o palato (céu da boca), a frequência cardíaca fetal e o fluxo sanguíneo através do ducto venoso e da válvula tricúspide.

Combinando a idade materna, o resultado de exames laboratoriais e os achados ultrassonográficos, é possível diagnosticar até 95% dos fetos com síndrome de Down permitindo que uma quantidade mínima de gestantes tenham que ser submetidas aos antigos procedimentos invasivos

Além destes benefícios da ultrassonografia morfológica de primeiro trimestre, nesta época também é possível se determinar o tempo de gestação com maior eficácia, detectar outras alterações na formação do bebê, descobrir gestações gemelares, bem como o número de bolsas e placentas. É possível também, rastrear as gestantes que têm maior risco de desenvolver complicações relacionadas a hipertensão (eclâmpsia), através do estudo das artérias uterinas.


O que é e como funciona a Ultrassonografia

O ultrassom (ou melhor, a ultrassonografia) é uma tecnologia de imagem que usa ondas sonoras para visualizar os órgãos.

A parte do aparelho que entra em contato com o paciente é chamada de transdutor. Em seu interior existem cristais que vibram e produzem um som, porém o ouvido humano não é capaz de perceber o som emitido porque a frequência de emissão é muito superior à capacidade de percepção de nosso ouvido.

O transdutor emite o som em direção às diferentes partes que se deseja avaliar e ao encontrar estas estruturas parte do som retorna em direção ao transdutor na forma de um eco (por isso a ultrassonografia também é conhecida por ecografia). O aparelho de ultrassonografia identifica então estes ecos e os converte em imagem dependendo da quantidade de ondas sonoras e do tempo que demoram para retornar ao transdutor.


Saiba mais no vídeo abaixo:

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ACRANIA

A Acrania ocorre quando não há formação da calota craniana. Nesta situação, o tecido cerebral fica exposto (exencefalia) e geralmente até a 16ª semana já foi completamente destruído (anencefalia).

À ultrassonografia, pode ser suspeitada à partir da 12ª semana quando não se verifica a ossificação completa do crânio.

Ocorre em cerca de 1 para cada 1000 exames realizados com 12 semanas de gestação.

Em 50% dos casos há outras malformações do Sistema Nervoso Central, principalmente espinha bífida, encontrada em 25% dos fetos com acrania.

Trata-se de uma condição incompatível com a vida extra-uterina. Embora existam poucos relatos de crianças que sobreviveram poucos anos, a grande maioria evolui a óbito dentro da primeira semana de vida.

Existe um risco de recorrência de 5% no casal que teve um feto com acrania e de 10% para o casal com história de dois filhos afetados.

Importante ressaltar que o risco de acrania é reduzido em 75% com a simples suplementação da dieta materna com ácido fólico, 5 mg ao dia, iniciando 3 meses antes da concepção e mantendo nos primeiros 2 meses de gestação.